quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Crescendo

Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima.Houve um tempo em que eu pensava que, para isso, seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar.

domingo, 12 de outubro de 2008

Partindo

Meus amigos, se durante meu recesso virem por acaso passar a minha amada peçam silêncio geral.Depois apontem para o infinito.
Ela deve ir como uma sonâmbula, envolta numa aura de tristeza, pois seus olhos só verão a minha ausência.
Ela deve estar cega de tudo o que seja o meu amor (esse indizível amor que vive trancado em mim num cárcere mirando empós seu rastro).
Se for a tarde, comprem e desfolhem rosas à sua melancólica passagem, e se puderem entoem cantus-primus.
Que cesse totalmente o tráfego e silencie as buzinas de modo que se ouça longamente o ruído de seus passos.
Ah, meus amigos, ponham as mãos em prece e roguem, não importa a que ser ou divindade por que bem haja a minha grande amada durante o meu recesso, pois sua vida é minha vida, sua morte a minha morte.
Sendo possível soltem pombas brancas em quantidade suficiente para que se faça em torno a suave penumbra que lhe apraz.
Se houver por perto um hi-fi, coloquem o "Noturno em sí bemol" de Chopin.
E se porventura ela se puser a chorar, recolham-lhe as lágrimas em pequenos frascos de opalina a me serem mandados regularmente pela mala diplomática.
Meus amigos, meus irmãos (e todos os que amam a minha poesia), se por acaso virem passar a minha amada salmodiem versos meus.
Ela estará sobre uma nuvem envolta numa aura de tristeza o coração em luz transverberado.
Ela é aquela que eu não pensava mais possível, nascida do meu desespero de não encontrá-la.
Ela é aquela por quem caminham as minhas pernas e para quem foram feitos os meus braços, ela é aquela que eu amo no meu tempo e que amarei na minha eternidade - a amada una e impretérita.
Por isso procedam com discrição mas eficiência: que ela não sinta o seu caminho, e que este, ademais ofereça a maior segurança.
Seria sem dúvida de grande acerto não se locomovesse ela de todo, de maneira a evitar os perigos inerentes às leis da gravidade e do momentum dos corpos, e principalmente aquele devidos à falibilidade dos reflexos humanos.
Sim, seria extremamente preferível se mantivesse ela reclusa em andar térreo e intramuros num ambiente azul de paz e música.
Que ela evite sobretudo dirigir à noite e estar sujeita aos imprevistos da loucura dos tempos.
Que ela se proteja, a minha amada contra os males terríveis desta ausência com música e equanil.
Que ela pense, agora e sempre em mim, que longe dela ando vagando pelos jardins noturnos da paixão e da melancolia.
Que ela se defenda contra tudo que anda, voa, corre e nada; e que se lembre que devemos nos encontrar, e para tanto é preciso que estejamos íntegros, e acontece que os perigos são máximos, e o amor de repente de tão grande tornou tudo frágil, extremamente, extremamente frágil.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

ITAPIRADO

Puta merda. Justo agora? agora que eu tô cansado, querendo entorpecer, dar um trato na vizinha, chegar de manso e salteado pra acabar com aquela tensão que já dura a semana.Logo agora que tudo se arranjava na mente, catastroficamente latente, querendo ser gente. É, logo agora. E ele retorna. Vou reclamar? por isso eu canto, e desse pseudo pranto, tento encantar meu encantamento...Lerêlerê. Agarra que o tronco é teu. O chicote? no fim do mês tem anestesia. Porque afinal é criando que o dinheiro se cria, ouvia-se por aí. A vida cobra seu preço, meu caro. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. E quem não tem juízo não serve nem de estagiário. Bem-vindo ao mundo, publicitário!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Obituário

If you wanna hang out youve got to take her out; cocaine.
If you wanna get down, down on the ground; cocaine.
She dont lie, she dont lie, she dont lie; cocaine.

If you got bad news, you wanna kick them blues; cocaine.
When your day is done and you wanna run; cocaine.
She dont lie, she dont lie, she dont lie; cocaine.

If your thing is gone and you wanna ride on; cocaine.
Dont forget this fact, you cant get it back; cocaine.
She dont lie, she dont lie, she dont lie; cocaine.

She dont lie, she dont lie, she dont lie; cocaine

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Embregando a fita

O que seria de nós, nos momentos morte-lenta, sem a ilustre existência dos doutores do brega?Admitam, sinceridade, gente atual! Antigas gerações foram premiadas pela atuação dessa tropa de elite, capaz de dar dor de barriga - fosse de rir, fosse de chorar. Órfãos momentaneos de hits sofridos, percebemos que o barato do momento é modernizar o brega. Reinventar a arte do cafona para renovar as esperanças das gerações futuras. Afinal, deve ser muito over ter que curtir fossa ouvindo Perlla e seu tremendo vacilão. Ou com qualquer dupla sertaneja dessas chinfrins, que nem de longe emplaca nas paradas como o sogrão do Lucas Lima. O gênero brega anda em decadência. E em progressão geométrica! Desde a criação do Calipso, faltam legítimas atuações cafonas para incendiar as festas populares. E olha que Joelma e Chimbinha cumprem - e muito bem - seus papéis de autênticos contribuintes do bregamusic, num pelotão de poucos sobreviventes. José Agusto, Daniel, Chitãozinho&Xororó... até Sandy& Jr chegou ao fim! E pior, Junior virou baterista de uma banda totalmente In e desfila por aí com um moicano e rapazes tatuados! Para completar, no lugar desses figurões do drama melódico, entram os conjuntos formados no Ídolos, EMOS ou qualquer bonde de funkeiros paulistas cantando ladainhas pegajosas. Sim, porque pior que funk, é funk de paulista. Quem já ouviu o deplorável Bonde do Rolê (Deus, "rolê"!) pode comprovar o que escrevo.
Música é uma arte cíclica. o que hoje é in, amanhã é out. Sobretudo numa indústria capaz de lançar fenômenos instantâneos de um hit só. Gerações se dividem e poucos conseguem se perpetuar no tempo - como os Rollings Stones, Madonna ou nosso tupiniquim Chico Buarque. Mas o momento "recriando o brega" chegou com tudo. E não está nada prosa. Seja com as bandas gringas como o Quietdrive regravando hits dor-de-cotovelo dos anos 90 ou com o atual incentivo de misturebas nada a ver, como Fresno e Chitãozinho&Xororó levantando o Credicard Hall ao som de Evidências.
É pagar pra ver. Ou melhor, pra ouvir. E paguemos.



* Para Overdrive season

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Sorriso Enxaqueca

Hoje vou de vermelho, amanhã no branco, mês que vem no azul, de agora em diante sou preto!Ah mas o verde é tão bonito...quero ir de amarelo, me empresta o cinza? quer saber, vou de laranja...se bem que fico melhor de marrom não?Já chega!Traga-me o vinho!



...e somos todos patifes, uns deslumbrados a espera do momento, da escolha. E pra que se importar? tem o arco-íris! E usa, e abusa, se arrepende e chora. Mas volta. Sempre. Uma salva de palmas ao escolhido da vez.

Embromation Society

E lá se foi a embromar o mundo...engana-se, pois, quem pensa que o faz sem consciência, que tudo não passa de mero deslize da excentricidade que lhe é própria. Repete, simetricamente, a mesma ladainha cativante, confundindo-se, a cada instante, entre vítimas e salvadores. Um abismo em si, com intensidades patológicas, de quem foge de si mesma na velocidade da luz. Ampara-se numa abalada rotatividade emocional, como quem espera de fora que se acalme por dentro. São os oquês, os porquês, os comos que não saem dali, e por isso te trazem aqui. Ou pra lá, tanto faz. E continua, inquieta, buscando rumo, um prumo, uma direção. Mas não há caminho sem norte. Não espere que alguém lhe diga quem é ou lhe traga o que falta. Não seja o encadeamento dos atos, seja o ato em si. Não seja uma a cada hora, seja única. Não seja um momento. Não confie no que só os olhos vêem ou o corpo sente, são nada mais que externalidades, ilusões. Busque-se. Quem sabe assim, não encontre a mim.